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    Terapia
    7 min de leitura

    Terapia sistêmica: o que é, como funciona e quando procurar

    Escrito por Escolha Terapia

    Revisado por Dra. Vitória Weber Marques – Psicóloga CRP 07/38758

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    Terapia sistêmica: o que é, como funciona e quando procurar

    Imagine um adolescente que começou a ir mal na escola, se fechou no quarto e vive brigando com os pais. Uma forma de olhar o problema é perguntar 'o que há de errado com ele?'. A terapia sistêmica faz outra pergunta: o que está acontecendo nas relações em volta dele? Talvez os pais estejam em conflito, talvez a família esteja passando por uma mudança que ninguém conseguiu conversar.

    Essa troca de lente é o centro da abordagem. Neste artigo você entende o que é a terapia sistêmica, de onde ela veio, como são as sessões, para quais situações ela é indicada e por que ela não tem nada a ver com constelação familiar, uma confusão bem comum.

    O que é terapia sistêmica

    A terapia sistêmica é uma abordagem da psicologia que entende a pessoa sempre dentro dos seus sistemas de relação: família, casal, trabalho, escola, comunidade. A ideia de base é que esses sistemas funcionam como um todo, com regras (ditas e não ditas), papéis e padrões de comunicação, e que o que acontece com uma pessoa afeta e é afetado por todas as outras.

    Por isso o terapeuta sistêmico não procura um 'culpado'. O sintoma de alguém (a ansiedade da mãe, a rebeldia do filho, o afastamento do casal) é visto como parte de um padrão de interação que se repete. A pergunta passa a ser 'como esse padrão funciona?' e 'o que pode mudar nele?'.

    Alguns conceitos que você vai ouvir

    • Circularidade: em vez de 'A causou B', o olhar é para ciclos. Ela critica, ele se afasta; ele se afasta, ela critica mais.
    • Homeostase: sistemas tendem a se manter como estão, mesmo quando o equilíbrio é ruim. Por isso a mudança de uma pessoa às vezes provoca reação nas outras.
    • Fronteiras e hierarquia: quem decide o quê, quem protege quem, onde termina o casal e começa a família.
    • Ciclo de vida familiar: fases como a chegada de um filho, a adolescência ou a saída dos filhos de casa pedem que a família se reorganize, e muitos problemas aparecem justamente nessas passagens.

    De onde veio a abordagem

    A terapia sistêmica nasceu nos anos 1950 e 1960, quando pesquisadores e clínicos começaram a aplicar à família ideias da teoria geral dos sistemas e da cibernética. Nomes como Gregory Bateson e o grupo do Mental Research Institute, em Palo Alto (Califórnia), estudaram como a comunicação entre as pessoas cria e mantém problemas.

    A partir daí surgiram várias escolas, que hoje convivem dentro do campo sistêmico:

    • Estrutural (Salvador Minuchin): foco na organização da família, alianças e fronteiras;
    • Estratégica (Jay Haley e outros): intervenções planejadas para mudar padrões que mantêm o problema;
    • Escola de Milão: perguntas que fazem a família enxergar as próprias relações de outra forma;
    • Bowen: o peso das gerações anteriores e a diferenciação de cada um dentro da família;
    • Narrativa (Michael White e David Epston): ajudar pessoas e famílias a reescrever as histórias que contam sobre si mesmas.

    Por isso, dois terapeutas sistêmicos podem trabalhar de maneiras bem diferentes. Vale perguntar ao profissional qual é a formação dele.

    Como funciona uma sessão

    Um ponto que surpreende muita gente: terapia sistêmica não precisa ser em família. Ela pode acontecer em três formatos:

    • Individual: só a pessoa vai, mas o trabalho olha para as relações dela;
    • Casal: os dois participam;
    • Família: pais, filhos e outras pessoas importantes, todos ou alguns, dependendo do momento.

    Algumas ferramentas comuns:

    • Genograma: uma espécie de árvore genealógica que mostra não só quem é quem, mas como as pessoas se relacionam, padrões que se repetem entre gerações, perdas e conflitos;
    • Perguntas circulares: 'Quando seu pai fica em silêncio, o que sua mãe faz? E o que você faz depois?'. Elas ajudam cada um a ver o ciclo do qual faz parte;
    • Reenquadramento: olhar o mesmo comportamento por outro ângulo. A 'teimosia' do filho pode também ser vista como tentativa de autonomia;
    • Tarefas entre sessões: pequenas mudanças de interação para testar na prática.

    As sessões costumam durar cerca de uma hora, ou um pouco mais quando a família toda participa. A terapia sistêmica também pode ser feita online, o que facilita reunir pessoas que moram em lugares diferentes. Veja se terapia online funciona mesmo.

    Para quem é indicada e o que dizem as pesquisas

    A terapia sistêmica é muito procurada para:

    • conflitos familiares e dificuldades de comunicação;
    • crises no casamento, separação e famílias recompostas;
    • dificuldades com filhos crianças e adolescentes;
    • adaptação a mudanças: luto, doença na família, mudança de cidade, nascimento de um filho;
    • situações em que o problema de uma pessoa afeta toda a casa, como dependência de álcool.

    Uma revisão de evidências publicada por Alan Carr no Journal of Family Therapy reuniu metanálises e ensaios clínicos e concluiu que intervenções sistêmicas são eficazes, sozinhas ou combinadas com outros tratamentos, em problemas como sofrimento no relacionamento, transtornos de ansiedade e de humor, problemas com álcool e adaptação a doenças crônicas, entre outros.

    Isso não significa que seja a melhor escolha para todo mundo. Para alguns quadros, como o TOC, há técnicas específicas de outras abordagens com mais evidência. Muitas vezes o ideal é combinar: terapia individual para quem precisa e sessões de casal ou família quando o problema está nas relações. Para comparar com outras linhas, leia as 7 abordagens da psicologia.

    Terapia sistêmica não é constelação familiar

    Na internet, os dois termos aparecem muito juntos, e isso confunde. A constelação familiar é uma prática criada por Bert Hellinger, feita em geral em grupo, com representantes que 'encenam' membros da família. Ela não é uma abordagem da psicologia e não tem comprovação científica de eficácia.

    A terapia sistêmica, por sua vez, é uma abordagem psicológica reconhecida, com décadas de pesquisa, exercida por psicólogos e outros profissionais com formação específica, dentro das regras éticas da profissão. Se alguém oferecer 'terapia sistêmica' e o que descreve parecer uma constelação, pergunte qual é a formação e a abordagem. Leia mais em a diferença entre constelação familiar e psicoterapia.

    Fontes consultadas

    Perguntas Frequentes

    Terapia sistêmica é só para famílias?

    Não. Ela pode ser feita individualmente, em casal ou em família. Mesmo nas sessões individuais, o trabalho olha para as relações da pessoa e para os padrões que se repetem nelas.

    Qual a diferença entre terapia sistêmica e terapia de casal?

    Terapia de casal é um formato de atendimento, que pode ser feito por profissionais de várias abordagens. A terapia sistêmica é uma abordagem teórica, muito usada em terapia de casal e de família, mas também no atendimento individual.

    Terapia sistêmica tem comprovação científica?

    Sim. Revisões de pesquisas, como as publicadas por Alan Carr, mostram eficácia de intervenções sistêmicas para problemas como conflitos no relacionamento, ansiedade, depressão e problemas com álcool, entre outros.

    Terapia sistêmica é a mesma coisa que constelação familiar?

    Não. A terapia sistêmica é uma abordagem da psicologia com base em pesquisa. A constelação familiar é uma prática criada por Bert Hellinger, sem comprovação científica, e não é uma abordagem psicológica.

    Dá para fazer terapia sistêmica online?

    Sim. O atendimento online é regulamentado para psicólogos no Brasil e facilita reunir familiares que moram em lugares diferentes.

    Conclusão

    Se o problema parece estar mais nas relações do que em uma pessoa só, a terapia sistêmica pode ser um bom caminho. Ela ajuda a enxergar os ciclos que se repetem e a construir novas formas de conversar e conviver.

    Na Escolha Terapia você pode encontrar um psicólogo para atendimento online, individual ou de casal. Se quiser organizar as ideias antes, converse com a Clara.

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    Este conteúdo tem caráter informativo e foi revisado por psicóloga registrada no Conselho Regional de Psicologia (CRP).

    Não substitui avaliação ou acompanhamento profissional individual.

    Referências e Fontes Confiáveis

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