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    Saúde Mental
    7 min de leitura

    Por que homens não procuram terapia (e como dar o primeiro passo)

    Escrito por Escolha Terapia

    Revisado por Dra. Vitória Weber Marques – Psicóloga CRP 07/38758

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    Por que homens não procuram terapia (e como dar o primeiro passo)

    Ele anda mais irritado, trabalhando até tarde, bebendo um pouco mais no fim de semana e dormindo mal. Quando alguém pergunta se está tudo bem, responde 'tá tudo certo, é só cansaço'. Terapia? 'Não é pra mim.'

    Esse retrato é comum, e os números ajudam a entender por que ele preocupa. Neste artigo você vê o que os dados mostram sobre a saúde mental dos homens no Brasil, as principais barreiras que afastam os homens da terapia e caminhos práticos para dar o primeiro passo, ou para ajudar alguém que você ama a dar.

    O que os dados mostram

    Dois números oficiais, lado a lado, chamam atenção:

    • Na Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, do IBGE, 14,7% das mulheres adultas relataram diagnóstico de depressão, contra 5,1% dos homens;
    • Ao mesmo tempo, dados do Ministério da Saúde mostram que 79% das mortes por suicídio no Brasil em 2023 foram de homens.

    Esses números não provam sozinhos que homens têm mais depressão do que aparece, mas muitos especialistas leem esse contraste como um sinal de que o sofrimento masculino é menos reconhecido, menos diagnosticado e menos tratado. Veja mais dados oficiais em estatísticas de saúde mental no Brasil.

    Por que tantos homens evitam a terapia

    A própria Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem, do Ministério da Saúde, aponta que os homens procuram menos os serviços de saúde e descreve barreiras que valem também para a saúde mental:

    A ideia de que adoecer é fraqueza

    Muitos homens cresceram ouvindo que 'homem não chora' e que precisa dar conta de tudo. Pedir ajuda passa a parecer fracasso. O documento do Ministério fala justamente na sensação de invulnerabilidade e no medo de descobrir que algo não vai bem.

    O papel de provedor

    Horários de atendimento que coincidem com o expediente, medo de faltar ao trabalho e a cobrança de sustentar a casa empurram o cuidado para depois.

    Dificuldade de nomear o que sente

    Sem prática em falar de emoções, muitos homens não reconhecem tristeza ou ansiedade como tal. O sofrimento aparece de outro jeito: irritabilidade, cansaço, dores no corpo, isolamento. Leia o custo emocional de ser 'forte' o tempo todo.

    Não saber como a terapia funciona

    Existe a imagem de que terapia é deitar num divã e falar da infância por anos. Muitos homens se surpreendem ao descobrir que há abordagens objetivas, focadas em problemas concretos e com metas combinadas. Veja as 7 abordagens da psicologia.

    Como o sofrimento pode aparecer nos homens

    Os critérios para diagnosticar depressão e ansiedade são os mesmos para homens e mulheres, mas a forma como o sofrimento aparece no dia a dia pode chamar menos atenção. Sinais que merecem cuidado:

    • irritação frequente, explosões de raiva ou 'pavio curto';
    • trabalhar excessivamente ou, ao contrário, perder interesse em tudo;
    • aumento do consumo de álcool ou outras substâncias;
    • comportamentos de risco, como dirigir em alta velocidade;
    • isolamento, inclusive dos amigos (leia sobre solidão masculina e amizade entre homens adultos);
    • dores, cansaço e problemas de sono sem causa clara.

    Para entender melhor, leia depressão masculina: os sinais silenciosos.

    Como dar o primeiro passo

    Se você é o homem que está pensando em começar

    • Comece pelo problema concreto: 'ando sem paciência com meus filhos', 'não consigo dormir', 'estou sem vontade de trabalhar'. Você não precisa chegar com um diagnóstico;
    • Use o formato que cabe na sua rotina: a terapia online permite sessões no horário do almoço, à noite ou do carro estacionado;
    • Teste algumas sessões: pergunte ao psicólogo como ele trabalha e o que propõe. Se não houver afinidade, troque de profissional;
    • Lembre do motivo: cuidar da cabeça é o que permite continuar cuidando de quem depende de você.

    Se você quer ajudar um homem próximo

    • escolha um momento calmo e fale do que você percebe ('tenho te visto muito cansado e irritado'), não de diagnósticos;
    • evite rótulos como 'você está louco' ou 'você precisa se tratar';
    • ofereça ajuda prática: procurar um profissional junto, sugerir uma primeira sessão online;
    • respeite o tempo dele, mas não abandone o assunto.

    Se ele falar em morte, em sumir ou em se machucar, leve a sério e busque ajuda imediata: CVV, 188 (gratuito, 24 horas), ou um serviço de emergência.

    Fontes consultadas

    Perguntas Frequentes

    Por que os homens não procuram terapia?

    Os motivos mais citados são a ideia de que pedir ajuda é fraqueza, a cobrança de ser provedor, a falta de tempo no horário de trabalho, a dificuldade de nomear emoções e o desconhecimento de como a terapia funciona.

    Homens têm menos depressão que mulheres?

    Os diagnósticos registrados são menores entre homens: 5,1% contra 14,7% das mulheres na PNS 2019. Ao mesmo tempo, os homens são cerca de 79% das mortes por suicídio, o que leva especialistas a apontar que o sofrimento masculino é menos reconhecido e tratado.

    Como convencer um homem a fazer terapia?

    Fale do que você observa no dia a dia, sem rótulos, ofereça ajuda prática para encontrar um profissional e sugira uma primeira sessão como teste. Pressão e ultimatos costumam afastar.

    Existe terapia específica para homens?

    Não é preciso uma terapia 'para homens'. O importante é encontrar um psicólogo com quem você se sinta à vontade. Algumas pessoas preferem um profissional homem, outras não, e isso pode ser considerado na escolha.

    Conclusão

    Procurar terapia não tira força de ninguém. Pelo contrário: é o que permite continuar de pé nos momentos difíceis. O primeiro passo pode ser pequeno, como uma conversa online para entender como funciona.

    Na Escolha Terapia você pode encontrar um psicólogo para atendimento online, no horário que couber na sua rotina. Se preferir começar desabafando, converse com a Clara.

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    Este conteúdo tem caráter informativo e foi revisado por psicóloga registrada no Conselho Regional de Psicologia (CRP).

    Não substitui avaliação ou acompanhamento profissional individual.

    Referências e Fontes Confiáveis

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