A adultescência não é uma invenção da nossa geração, mas um fenômeno cada vez mais visível. Ela se refere à fase da vida entre a adolescência tardia e a idade adulta plena, geralmente dos 18 aos 29 anos, mas que pode se estender até os 35. É um período de grande exploração e instabilidade, identidade e auto-foco, além de muitas possibilidades. Antigamente, a transição para a idade adulta era marcada por passos claros: sair da casa dos pais, casar, ter filhos, ter um emprego estável. Hoje, essa linha do tempo está bem mais borrada, e por bons motivos.
As mudanças sociais e econômicas são as grandes protagonistas. O acesso à educação se tornou mais longo e complexo, com a busca por formações cada vez mais especializadas. O mercado de trabalho exige mais qualificação e oferece menos estabilidade. A globalização e as novas tecnologias criaram um mundo onde as fronteiras são mais fluídas, e a noção de “lar” e “carreira” pode ser bem diferente do que era para nossos pais e avós. Todo esse cenário faz com que muitos jovens adultos se sintam em um limbo, nem totalmente independentes, nem totalmente dependentes. É como viver em uma ponte, com a bagagem de uma fase e a vista para a próxima, mas sem ter certeza de quando (e como) vamos cruzar.
