Homens ainda representam a maioria dos suicídios no país, mas 2025 mostrou aumento significativo da procura masculina por terapia — sinal de uma mudança cultural em curso.

O primeiro semestre de 2025 marcou um deslocamento cultural importante: a saúde mental masculina começou a sair do silêncio. Ainda vivemos um cenário grave — homens seguem representando cerca de 78% dos suicídios no país —, mas pela primeira vez há sinais consistentes de que homens estão procurando ajuda antes do colapso.
Campanhas como 'Novembro Azul da mente' ganharam adesão de marcas, times de futebol e influenciadores masculinos. Grupos terapêuticos exclusivos para homens cresceram 3x em duas capitais, e consultórios com atendimento voltado a esse público triplicaram desde 2020. Não é solução — é o começo de uma solução.
≈ 16,3 mil
Suicídios no Brasil (2024, base 2025)
≈ 78% cometidos por homens
Fonte: SIM/DATASUS
+22%
Crescimento anual da procura masculina por terapia
Fonte: Escolha Terapia – base interna
38%
Homens que se declararam em sofrimento emocional
Fonte: Instituto Cactus – Panorama 2025
12%
Consultórios com atendimento voltado a homens
vs 4% em 2020
Fonte: CFP
A taxa de suicídio no Brasil segue subindo (6,5 por 100 mil em 2018 para 7,8 em 2024) e ainda é fortemente masculina. Enquanto mulheres apresentam mais tentativas, homens apresentam mais mortes por suicídio — reflexo direto do método escolhido, geralmente mais letal, e da menor procura por ajuda prévia.
Um estudo Fiocruz citado neste semestre mostrou que homens demoram, em média, 7 anos para procurar ajuda após início dos sintomas — contra 3 anos das mulheres. Esse atraso é o que transforma sofrimento em tragédia. Reduzi-lo é meta central de saúde pública.
Unidade: por 100 mil hab.
Unidade: % das respostas
Entre os homens que buscaram terapia em 2025, ansiedade (34%) e relacionamentos (22%) lideram — dado interessante porque contraria o estereótipo de que homens 'só falam de trabalho'. Trabalho/burnout aparece em terceiro (18%).
Paternidade (14%) surge com força pela primeira vez em pesquisas: uma geração de pais que quer ser presente, envolvida e emocionalmente disponível está encontrando terapia como espaço para aprender algo que seus próprios pais raramente modelaram. É uma reparação de linhagem.
O semestre encerra com um dado esperançoso: 38% dos homens se declararam em sofrimento emocional — número alto, mas também sinal de que homens estão dispostos a reconhecer o que sentem. Reconhecer é o primeiro passo para pedir ajuda. E pedir ajuda, entre homens brasileiros, tem sido, historicamente, um ato de coragem.
Quando não há divulgação semestral, os valores são estimados a partir das séries anuais publicadas pelas fontes acima. Números arredondados para facilitar a leitura.
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