Insônia crônica ultrapassou 30% da população adulta e a relação entre uso excessivo de telas, sono e ansiedade virou pauta central de saúde pública.

O segundo semestre de 2024 colocou o sono no centro do debate de saúde mental. Um em cada três adultos brasileiros passou a se enquadrar clinicamente no diagnóstico de insônia crônica — dificuldade para iniciar ou manter o sono pelo menos três vezes por semana, por três meses ou mais. Não é falta de rotina; é epidemia.
O tempo médio diário de tela chegou a 9h34min por adulto — mais da metade do tempo em que estamos acordados. Neurocientistas passaram a alertar que a exposição noturna à luz azul, somada ao estímulo emocional constante das redes, tem efeito direto na melatonina e no ciclo circadiano. Dormir virou ato de resistência.
≈ 33%
Adultos com insônia crônica
Fonte: Associação Brasileira do Sono (ABS)
45%
Brasileiros que dormem menos de 6h/noite
Fonte: Instituto do Sono
+180%
Aumento nas prescrições de melatonina (2 anos)
Fonte: Anvisa – Rastreamento SNGPC
9h34min
Tempo médio diário em telas (adultos)
Fonte: Data.ai / Similarweb
O gráfico de insônia crônica mostra uma progressão preocupante: 21% em 2018, 33% em 2024 — crescimento de 57% em seis anos. Trata-se de uma condição que, quando cronificada, aumenta em até 2x o risco de desenvolver depressão e em até 3x o risco de eventos cardiovasculares.
Um dado revelador do momento: as prescrições de melatonina cresceram 180% em dois anos. Muitos brasileiros começaram a automedicar-se com melatonina como se fosse suplemento — quando, na verdade, é hormônio com efeitos que dependem de dose e horário corretos. A demanda mostra o tamanho do problema.
Unidade: % da população adulta
Unidade: % das respostas
Ansiedade/preocupações (61%) e telas antes de dormir (48%) são as duas maiores causas relatadas — e não é coincidência que estejam ligadas. A cabeça 'ligada' na hora de dormir muitas vezes é sintoma de um dia inteiro de hiperestimulação sem pausas.
Rotina irregular (34%) e ruído ambiente (22%) apontam para outro problema: o brasileiro médio dorme em condições subótimas. Casas menores, ruído urbano crescente e trabalho por turnos criam um cenário em que a higiene do sono precisa ser ensinada — não apenas medicada.
Empresas pioneiras começaram a testar jornadas de quatro dias, e o Ministério da Saúde lançou campanha nacional de higiene do sono. É um começo. A ciência é clara: menos de seis horas de sono por noite é fator de risco de peso comparável a fumar ou não fazer exercícios. Tratar sono é tratar saúde mental.
Quando não há divulgação semestral, os valores são estimados a partir das séries anuais publicadas pelas fontes acima. Números arredondados para facilitar a leitura.
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