Jovens de 20 a 29 anos passaram a ser o grupo com maior prevalência de sintomas ansiosos e depressivos. A chamada 'crise do quarto de século' virou termo popular e clínico.

O segundo semestre de 2025 consagrou um termo que era jargão de TikTok e virou categoria clínica: a 'crise dos 25' — ou quarter-life crisis. Jovens entre 20 e 29 anos passaram a ser o grupo etário com maior prevalência de sintomas de ansiedade e depressão, superando faixas tradicionalmente mais afetadas.
É uma inversão histórica. Por décadas, saúde mental foi discutida sobretudo como problema de meia-idade (crise dos 40) ou terceira idade. Agora, o ponto de maior sofrimento acontece justamente no momento em que a vida deveria estar 'começando' — o que revela o quanto essa promessa geracional está desalinhada da realidade.
47%
Jovens 20–29 com sintomas de ansiedade
Fonte: Instituto Cactus – 2025
29%
Jovens 20–29 com sintomas depressivos
Fonte: Instituto Cactus – 2025
+310% em 24 meses
Aumento na busca por 'crise dos 25' (Google)
Fonte: Google Trends
52%
Jovens em terapia pela primeira vez
dos novos pacientes na faixa
Fonte: Escolha Terapia
O gráfico por faixa etária é impressionante: 47% dos jovens entre 20 e 29 anos relatam sintomas de ansiedade — contra 22% na faixa dos 50–59 e 18% acima dos 60. Isso desmonta o mito de que 'juventude é a fase mais fácil da vida'.
As causas são estruturais: mercado de trabalho instável, custo de moradia em alta, aposentadoria distante, mudanças climáticas anunciadas e comparação social permanente via redes. Essa geração enfrenta simultaneamente crises que outras gerações viveram em sequência.
Unidade: % que relatam sintomas
Unidade: % das respostas
Futuro profissional (64%) e situação financeira (58%) lideram as aflições. É a angústia de olhar para 40 anos de vida adulta pela frente sem clareza de trajetória — em um mercado onde profissões inteiras podem desaparecer em uma década.
Comparação social (51%) e solidão (44%) formam a camada emocional dessa crise. Paradoxalmente, a geração mais conectada da história é também a que mais relata solidão — sinal de que quantidade de contatos e qualidade de vínculos são coisas diferentes.
Marcas ajustaram políticas de RH para incluir 'dias de saúde mental' remunerados. Faculdades e escolas técnicas ampliaram programas de acolhimento. Mas o desafio principal segue estrutural: essa geração precisa de mais do que ajustes pontuais — precisa de horizontes viáveis. A terapia ajuda a atravessar a crise; políticas públicas ajudam a mudar o terreno.
Quando não há divulgação semestral, os valores são estimados a partir das séries anuais publicadas pelas fontes acima. Números arredondados para facilitar a leitura.
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