Hub de estatísticasJulho a dezembro de 2022

    2022 · 2º semestre — Ansiedade se firma como principal queixa

    No segundo semestre de 2022, o Brasil consolidou-se como o país com maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo segundo a OMS. Insônia e burnout ganharam espaço nos consultórios.

    2022 · 2º semestre — Ansiedade se firma como principal queixa

    Contexto do semestre

    O segundo semestre de 2022 foi o momento em que o Brasil recebeu um selo que ninguém queria: segundo o World Mental Health Report da OMS, o país passou a liderar o ranking mundial de prevalência de transtornos de ansiedade. Não é apenas um dado epidemiológico — é um espelho da nossa cultura de urgência, insegurança econômica e hiperconexão.

    Enquanto o mundo pós-pandemia tentava recompor rotinas, o trabalhador brasileiro enfrentava jornadas mais longas, retorno forçado ao presencial e pressão por produtividade acumulada. Foi o semestre em que o burnout deixou de ser jargão corporativo e virou pauta médica e jurídica.

    Números-chave do semestre

    1º lugar

    Brasil no ranking mundial de ansiedade

    Fonte: OMS (2022)

    ≈ 30%

    Trabalhadores com transtornos mentais comuns

    Fonte: Revisão sistemática – SciELO

    209 mil

    Afastamentos por transtornos mentais (INSS)

    3ª maior causa de auxílio-doença

    Fonte: INSS – Anuário 2022

    18%

    Adolescentes com sintomas de ansiedade

    Fonte: UNICEF – Estado Mundial da Infância

    O que os dados de tendência mostram

    O gráfico do INSS revela um fenômeno curioso: 2020 foi o pico absoluto de afastamentos por transtornos mentais (285 mil), com queda em 2021 e leve retomada em 2022. A queda não representa melhora — reflete o medo do desemprego durante a crise, que fez muitos trabalhadores 'seguir empurrando' sem se afastar.

    Em 2022, com o mercado reaquecido, essas pessoas finalmente buscaram atestado. O número de 209 mil concessões colocou os transtornos mentais como a terceira maior causa de auxílio-doença no Brasil — atrás apenas de lesões e doenças osteomusculares.

    Afastamentos por transtornos mentais no INSS

    Unidade: mil concessões/ano

    Distribuição dos afastamentos por transtorno (2022)

    Unidade: % do total de afastamentos por saúde mental

    Lendo a distribuição

    A distribuição por diagnóstico mostra que depressão (36%) e ansiedade (32%) juntas respondem por mais de dois terços dos afastamentos. É uma inversão do que se via na década passada, quando doenças cardiovasculares e ortopédicas dominavam essas planilhas.

    O crescimento de estresse/burnout (15%) tem um significado histórico: pela primeira vez, uma condição diretamente ligada ao ambiente de trabalho aparece com peso próprio, criando pressão para que empresas discutam cultura organizacional, e não apenas produtividade.

    Destaques do semestre

    Reflexão de fechamento

    O semestre termina com sinal de mudança cultural: adolescentes começaram a aparecer com força nos dados (UNICEF apontou 18% com sintomas ansiosos), a psicoterapia online superou a presencial em capitais e RHs passaram a incluir métricas de bem-estar em relatórios trimestrais. A saúde mental deixou de ser 'benefício extra' para virar indicador estratégico.

    Fontes consultadas

    Quando não há divulgação semestral, os valores são estimados a partir das séries anuais publicadas pelas fontes acima. Números arredondados para facilitar a leitura.

    Precisa de apoio para o que você está sentindo?

    Fale com um psicólogo verificado do Escolha Terapia.

    Quero conversar com um psicólogo
    Semestre anterior

    A ressaca da pandemia

    Janeiro a junho de 2022

    Próximo semestre

    Burnout ganha atenção regulatória

    Janeiro a junho de 2023