O primeiro semestre de 2022 marcou o pós-agudo da pandemia. Mesmo com o avanço da vacinação, ansiedade, insônia e sintomas depressivos permaneceram elevados, especialmente entre mulheres e jovens.

O primeiro semestre de 2022 foi vivido como uma espécie de 'convalescência coletiva'. Depois de dois anos de perdas, isolamento e incerteza econômica, o país reabriu escolas, escritórios e teatros — mas o corpo emocional da população continuava em modo de alerta. Consultórios de psicologia relataram salas de espera cheias e listas de espera de até 90 dias.
Foi nesse período que a OMS publicou o alerta de que a pandemia havia elevado em 25% a prevalência de ansiedade e depressão no mundo. No Brasil, o efeito somou-se a uma crise econômica ainda não resolvida, criando o que pesquisadores chamaram de 'síndrome do retorno': voltar à rotina antiga com sintomas novos.
9,3%
Adultos com sintomas de ansiedade
≈ 18,6 milhões de pessoas
Fonte: OMS (2022)
5,8%
Adultos com sintomas depressivos
≈ 11,5 milhões de pessoas
Fonte: OMS (2022)
+25%
Aumento global de ansiedade e depressão pós-Covid
Fonte: OMS – Scientific Brief (mar/2022)
+40%
Ligações ao CVV em relação a 2019
Fonte: CVV (2022)
O gráfico de tendência mostra uma linha ascendente que começa antes da pandemia. A depressão autorrelatada saiu de 7,6% em 2013 para mais de 12% em 2022 — um crescimento de cerca de 65% em menos de dez anos. Isso indica que a Covid-19 acelerou, mas não criou sozinha o problema: já havia uma curva estrutural em andamento.
A leitura importante aqui é que o semestre pós-pandêmico não trouxe o esperado 'alívio'. Pelo contrário: os sintomas continuaram subindo, mesmo com o fim das medidas restritivas — sinal de que as consequências emocionais persistem muito depois do estressor original.
Unidade: % da população adulta
Unidade: % dos atendimentos
Entre os atendimentos ambulatoriais, ansiedade concentrou 42% das queixas iniciais, seguida por depressão (24%). Insônia e burnout, juntos, já respondiam por um quarto das demandas — dado que anunciava a agenda dos anos seguintes.
O luto (9%) apareceu como categoria própria pela primeira vez em muitos serviços, refletindo o impacto direto das mais de 660 mil mortes por Covid-19 até então. Serviços especializados em luto complicado começaram a surgir em capitais.
O semestre encerra com uma mensagem clara: a saúde mental precisou sair do lugar de 'assunto individual' e virar pauta de saúde pública. Empresas começaram a incluir psicoterapia em benefícios, escolas ampliaram equipes multidisciplinares e a busca por terapia online se consolidou como principal porta de entrada.
Quando não há divulgação semestral, os valores são estimados a partir das séries anuais publicadas pelas fontes acima. Números arredondados para facilitar a leitura.
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