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    2023 · 2º semestre — Saúde mental de crianças e adolescentes

    O segundo semestre de 2023 colocou os jovens no centro da conversa. Uso intenso de redes sociais, ansiedade escolar e aumento da automutilação alarmaram profissionais e escolas.

    2023 · 2º semestre — Saúde mental de crianças e adolescentes

    Contexto do semestre

    O segundo semestre de 2023 foi, sem exagero, o semestre em que o país descobriu que sua juventude estava em crise. Escolas particulares e públicas relataram aumento simultâneo de casos de automutilação, ataques de pânico em sala de aula e episódios de dissociação — algo que antes era exceção começou a virar rotina para orientadores educacionais.

    A pesquisa Fonaprace, feita com mais de 1 milhão de estudantes de universidades federais, mostrou que quase 1 em cada 3 apresentava sofrimento psicológico significativo. E, mais grave: 5,9% relataram ideação suicida nas duas semanas anteriores à pesquisa — número compatível com contextos de guerra.

    Números-chave do semestre

    32,5%

    Universitários com sofrimento psicológico significativo

    Fonte: Fórum Nacional de Pró-Reitores – Fonaprace

    5,9%

    Universitários com ideação suicida (últimas 2 semanas)

    Fonte: Fonaprace

    +35% vs 2019

    Aumento de internações por automutilação (10–19 anos)

    Fonte: DATASUS/SIH

    63%

    Jovens (18–24) que se declararam ansiosos

    Fonte: Datafolha – ago/2023

    O que os dados de tendência mostram

    As internações por autolesão entre 10 e 19 anos subiram 35% em relação a 2019. O gráfico mostra uma curva contínua, sem sinais de estabilização — cada ano supera o anterior. E esse dado registra apenas os casos que chegam à emergência hospitalar; a subnotificação é estimada em pelo menos 3 vezes esse volume.

    Uma leitura menos óbvia: o aumento não se concentra em regiões pobres ou ricas — está distribuído. Isso descarta a hipótese fácil de que se trata apenas de 'falta de acesso'. É um fenômeno cultural que atravessa classes, ligado à forma como essa geração se relaciona com imagem, futuro e pertencimento.

    Internações por autolesão entre 10 e 19 anos

    Unidade: internações/ano

    Principais gatilhos relatados por jovens (14–24 anos)

    Unidade: % das respostas

    Lendo a distribuição

    Redes sociais aparecem como gatilho declarado por 58% dos jovens, seguidas de pressão acadêmica (52%) e comparação de imagem (44%). O padrão é claro: os três primeiros itens têm em comum a exposição contínua a métricas de comparação — likes, notas, seguidores, corpos.

    Solidão (39%) e bullying/cyberbullying (21%) completam o quadro. Estudos da USP citados neste semestre mostraram correlação entre uso de mais de 4 horas diárias em redes e piora significativa de ansiedade — o que motivou escolas a criar programas de 'higiene digital' junto com pais e educadores.

    Destaques do semestre

    Reflexão de fechamento

    O semestre marcou o momento em que a Lei 13.935/2019, que prevê psicólogos nas escolas, saiu do papel em várias redes municipais. Aplicativos de terapia voltados a adolescentes cresceram 4x em downloads. É um começo — mas cuidar dessa geração vai exigir algo maior: redesenhar a relação entre educação, telas e desempenho.

    Fontes consultadas

    Quando não há divulgação semestral, os valores são estimados a partir das séries anuais publicadas pelas fontes acima. Números arredondados para facilitar a leitura.

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